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Se o Livre-Arbítrio Existe, Então É Pra Ser Usado
Uma conversa com Valéria Toledo Valdez
Publicado em 03/06/2026 12:42 • Atualizado 03/06/2026 12:47
Ficção

Hoje estamos aqui com ela, “a princesinha da high society paulistana”, Valéria Toledo Valdez, que vai falar um pouco sobre sua carreira artística e também sobre esse nome inusitado: Valéria Pandora.

 


 

Entrevistador: Valéria, o que mais te incomoda: as pessoas te julgarem sem te conhecer… ou você mesma ainda não ter certeza de quem realmente é?

Valéria: O que as outras pessoas julgam sobre mim pertence a elas. Eu não tenho nenhum poder sobre isso, a não ser o meu histórico, que está sendo construído tijolo por tijolo. Sobre ter certeza ou não de quem eu sou… como dizia o profeta brasileiro, Raul Seixas, somos uma metamorfose ambulante. Eu ainda estou me construindo — e espero que essa construção não saia torta.

 


 

Entrevistador: Você falou em “construção tijolo por tijolo”… qual foi o tijolo mais difícil de colocar até hoje? Aquele que quase fez você desistir?

Valéria: O mais difícil… puxa, agora você pegou. Porque não foi um evento, mas um conjunto deles. Podemos dizer que eu queria construir minha casa com tijolos vermelhos… mas me trouxeram alguns tijolos azuis. Quem assistiu Matrix vai entender a referência.

 


 

Entrevistador: Quando te trouxeram esses “tijolos azuis”, você se sentiu protegida… ou controlada?

Valéria: Eu me sinto tanto protegida quanto controlada. Mas, sendo sincera, eu preferia os tijolos vermelhos. Meu interior grita querendo sair, querendo se expandir, querendo dizer: “Eu existo!”. Não é sobre chamar atenção… é como cuidar de um gatinho numa caixinha pequena. Ele cresce, e chega uma hora em que aquela caixa não serve mais. A minha caixinha é linda… mas não me cabe mais.

 


 

Entrevistador: O que te impede de sair dela hoje: medo do mundo… ou medo de decepcionar quem construiu essa caixa?

Valéria: Sem dúvida, minha família é o ponto mais delicado. Não que eu não tenha medo do mundo — coragem é justamente enfrentar isso. Mas eu amo minha família. Não quero vê-los sofrendo por minha causa.
(pausa)
É a primeira vez que me abro tanto assim com alguém… você é um ótimo entrevistador.

 


 

Entrevistador: Se continuar nessa “caixinha”, quem vai sofrer mais no final — eles ou você?

Valéria: Você tem um ponto… eu penso nisso todos os dias. Até quando eu vou conseguir viver assim? E, sendo sincera, eu não sei a resposta.

 


 

Entrevistador: Se ninguém fosse se machucar, qual seria sua primeira decisão amanhã?

Valéria: Conhecer pessoas que não sabem quem eu sou. Contato real, não roteiro social. Sei lá… subir num pé de manga sem me preocupar com imagem pública. Inclusive, eu já fiz isso — e quase fiquei de castigo. (risos)

 


 

Entrevistador: E naquele pé de manga… você se sentiu mais você mesma?

Valéria: Aquilo foi inesquecível. Eu tinha acabado de sair da festa de aniversário da minha irmã e queria fugir pra gravadora. Acabei encontrando o pé de manga, pedi permissão e subi. Comi umas três lá em cima… quando olhei pra baixo, tinha umas doze pessoas filmando. Meu vestido já estava todo sujo.
Quando cheguei em casa, levei bronca — minha mãe disse que eu tinha passado na TV. Já meu pai só ria e dizia: “Deja a la niña en paz, mi flor.”
Eu vou me lembrar disso pro resto da vida.

 


 

Entrevistador: Você quer descobrir quem você é… ou descansar de quem esperam que você seja?

Valéria: Sabe quando a pessoa que construíram pra você brilha tanto que ofusca o seu próprio brilho? É assim que eu me sinto. E o mais louco é que eu sei que aquela pessoa também sou eu. Eu só estou tentando equilibrar essas duas Valérias… e, se eu não conseguir, vou morrer tentando.

 


 

Entrevistador: Qual Valéria estava naquela árvore: Valeria Toledo Valdez, ou Valéria Pandora?

Valéria: Ali em cima… quem estava vivendo era a Valéria Pandora. A Valéria Toledo Valdez está terminantemente proibida de subir lá.

 


 

Entrevistador: Se existirem mesmo duas Valérias… qual delas seu pai estava defendendo naquele momento: a que o mundo conhece… ou a que estava lá em cima da árvore?

Valéria: Talvez meu pai nem saiba que aquela Valéria exista… mas tenho certeza de que ele adoraria conhecê-la.

 


 

Entrevistador: O que falta pra Valéria Toledo confiar na Pandora?

Valéria: Talvez não seja falta de confiança… talvez seja o peso da bagagem. Às vezes essa bagagem me deixa louca. Eu nunca tive tempo de experimentar o outro lado sem esse peso todo.

 


 

Entrevistador: E seu pai?

Valéria: Ele amaria a Valéria Pandora… (risos) mas confiar nela pra carregar o legado talvez não. 

 


 

Entrevistador: E se Pandora criasse o próprio legado?

Valéria: Essa pergunta foi certeira. Talvez ela transformasse a própria vida em música… pra que outras pessoas abandonem fardos que não são delas. Eu ainda não sei, mas sinto que pode ser maior do que imagino.

 


 

Entrevistador: E se tivesse um espaço só seu?

Valéria: Ela viveria intensamente. Sem planos, sem projetos… só o momento.

 


 

Entrevistador: Isso seria um desabafo ou um recado?

Valéria: Se eu posso me permitir experimentar… por que os outros não podem?

 


 

Entrevistador: Pra você, viver intensamente é esquecer o amanhã?

Valéria: Não. É viver tudo que existe hoje, independente do amanhã — mas com sentido.

 


 

Entrevistador: O que te impede de começar isso em silêncio?

Valéria: Talvez eu não precise responder em palavras… mas nas minhas futuras ações.

 


 

Entrevistador: Qual seria o primeiro passo?

Valéria: Acho que eu já dei… subi num pé de manga. (risos)

 


 

Entrevistador: Então talvez não seja sobre grandes decisões… talvez seja só sobre continuar subindo em ‘pés de manga’ ao longo da vida — mesmo que eles mudem de forma. Você acha que consegue reconhecer quando um desses momentos aparece?

Valéria: Eu espero que sim… acho que todo mundo está contando com isso. (risos)

 


 

Entrevistador: E da próxima vez… você sobe de novo — ou desce mais devagar pra aproveitar melhor?

Valéria: Não vou pegar manga só pra mim… vou dividir com quem ainda não pode subir.

 


 

Entrevistador: Então você quer abrir a caixa por dentro?

Valéria: Quero deixar essa tampa escancarada… pra nunca mais se fechar.

 


 

Entrevistador: Se alguém lá dentro olhasse pra você agora… o que você gostaria que essa pessoa sentisse: coragem… ou esperança?

Valéria: Coragem. Esperança é esperar que alguém te salve… eu quero que cada um encontre a própria coragem.

 


 

Entrevistador: Então me diz… quando alguém encontrar essa ‘tampa aberta’ por sua causa… o que você quer que essa pessoa diga sobre você?

Valéria: Não quero que falem de mim… quero que inspirem o próximo.

 


 

Entrevistador: Uma frase que resume tudo isso?

Valéria: Se o livre arbítrio existe… então é pra ser usado.

 


 

Entrevistador: E quando você esquecer disso?

Valéria: Que me lembrem dessa entrevista.
A Valéria Pandora nasceu na minha festa de 15 anos, em 11 de novembro de 2024… mas foi hoje que ela disse quem quer ser.
Muito obrigada. Eu adoraria voltar. (disse ela emocionada)

 


 

Fechamento

Valéria… hoje não foi só uma entrevista.

Foi o dia em que Valéria Pandora deixou de ser uma ideia — e virou escolha.

Ela não falou sobre fuga, ruptura ou rebeldia.
Falou sobre algo muito mais profundo: usar aquilo que já é seu — o livre arbítrio.

E isso muda tudo.

Porque, no fim… talvez não seja sobre sair da caixa.
Talvez seja sobre abrir a tampa — e nunca mais deixar que ela se feche.

E quando ela voltar, não será para explicar o que fez.
Será para mostrar quantas pessoas começaram a questionar suas próprias caixas.

 

E, quem sabe… quantas já tiveram coragem de sair delas.

Fonte: https://reficcao.blogspot.com/2026/06/se-o-livre-arbitrio-existe-entao-e-pra.html

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